Eleições: riscos e possibilidades

As eleições de 2018 levaram a democracia brasileira ao seu limite, que poderá ser rompido caso Bolsonaro seja eleito. O risco é real e vem sendo alertado por muitas pessoas no Brasil e no exterior, entre elas, importantes intelectuais, políticos, jornalistas, militantes.

A população irritada com a crise política, crise econômica e os casos de corrupção descontou nas urnas. Nesse sentido, foram eleitos deputados, senadores e governadores descompromissados com as questões públicas, muitos dos quais notoriamente oportunistas, mas que se alinharam ao discurso de mudar “tudo o que está aí”. O conservadorismo religioso também foi utilizado como tema de debate e definição de voto.

É importante ressaltar que a indignação é legítima. Não há dúvidas sobre os erros, crimes, omissões, prioridades equivocadas, que aconteceram – e ainda acontecem – no Brasil e que contribuíram para as crises atuais. Contudo, a indignação não pode ser irrefletida, nem desaguar contra as conquistas históricas do povo brasileiro. A indignação não pode pregar o ódio e a intolerância. A indignação não pode voltar-se contra a própria democracia.

Numa primeira análise, ainda no decorrer dos acontecimentos, o conjunto de pessoas que votou em Bolsonaro no primeiro turno e que pretende votar no dia 28/10 é heterogêneo. Existem ao menos três grandes grupos entre seus eleitores: 1) os que se sentem representados nas centenas de declarações violentas, preconceituosas e autoritárias do deputado, e não sejamos ingênuos, pois não se trata de um grupo pequeno. São pessoas que encontraram alguém que canalizasse e legitimasse suas aspirações; 2) pessoas que estão muito descontentes com a situação econômica e política do país, com forte apelo contra a corrupção, que acredita que a culpa dos grandes problemas nacionais seja do sistema político representado principalmente pelo PT, mas também por outros grandes partidos; 3) grupos conservadores, religiosos, convencidos de que o PT representa um grande mal do ponto de vista dos valores morais. Aqui, à primeira vista, diversas notícias falsas e tendenciosas ao longo dos últimos anos teve um papel fundamental, do mesmo modo que o alinhamento ideológico de lideranças religiosas influenciaram o cenário. Nos três grupos o sentimento antipetista se faz presente, construído nos últimos anos.

No campo das forças políticas, torna-se evidente o apoio do mercado financeiro, dos grandes latifundiários, industriais, comerciantes e de setores da mídia e da burocracia estatal, em particular das forças de segurança, militares e judiciário. Misturam-se interesses corporativos, econômicos, financeiros e ambientais. Dentre as principais propostas que mantém a convergência desses interesses: reforma da previdência, com redução de direitos, flexibilização de direitos trabalhistas, privatizações, enfraquecimento das leis ambientais e da fiscalização ambiental e do trabalho e carta branca para as forças repressivas.

Por fim, são evidentes os riscos ao Brasil, em todas as áreas, a começar pela democracia; mas também à economia, com medidas que devem aprofundar a pobreza e a exclusão; aos direitos sociais; ao respeito às minorias; ao meio ambiente; à educação pública básica, média e superior, à segurança jurídica; à segurança das pessoas, entre outros. Ainda há tempo para reflexão e decisão ponderada. As informações estão acessíveis e os planos de governo são nítidos. São centenas de vídeos e textos que podem ser vistos em fontes neutras, institucionais, para conferir as posições dos candidatos. O Brasil não pode voltar no tempo. Por isso meu apoio e meu voto é no Fernando Haddad.

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