Decisões e consequências

Por Paulo Malerba

As autoridades públicas utilizam os meios de comunicação oficiais e as redes sociais para realizar avaliações quanto avanço da Covid nos municípios, e cada vez é mais frequente atribuírem aos cidadãos comuns a responsabilidade pela situação.

Essas autoridades mencionam que o problema são as pessoas que não se cuidam e não se preocupam com a saúde dos outros. Em partes, isso é correto, há muitos que possuem acesso à informação, poderiam se prevenir e se proteger e não o fazem. Por outro lado, essa concepção pretende tratar os governantes como se não houvesse, em seus atos, qualquer consequência.

Ao fechar os comércios e serviços, a prefeitura, por exemplo, passa um sinal à sociedade. Não apenas limita a circulação, como, do mesmo modo, emite uma mensagem da gravidade da situação. Por outro lado, quando se permite a retomada das atividades, há reflexos evidentes.

O primeiro deles, é que milhares de trabalhadores devem voltar aos seus postos. Não é uma opção. Apenas em um shopping são dois mil empregados, em centenas de lojas. Para ficar em apenas um exemplo.

Os trabalhadores e trabalhadoras, em grande maioria, vão precisar utilizar ônibus, deixar as crianças com alguém, porque as escolas estão fechadas, deverão se alimentar em algum lugar, entre outras questões logísticas. Os empresários abrem seus comércios para vender e conseguir pagar as contas, portanto é natural que estimulem as pessoas a voltarem às suas lojas, utilizando os meios que dispõem para tanto. Inclusive porque, no geral, não receberam qualquer suporte do governo. Assim, os lojistas irão buscar tranquilizar seus clientes, mencionando que estão tomando todos os cuidados necessários.

No imaginário popular, se a prefeitura autorizou a reabertura dos negócios, se os empresários fazem propaganda para que voltem aos seus estabelecimentos, se há milhares de pessoas circulando – estas por obrigação -, é esperado que a população acredite em um retorno à normalidade da vida, desde que tenha certos cuidados.

Nessa situação, fica difícil concordar que a “culpa” é principalmente dos cidadãos. O poder público, ao agir ou se omitir, em todas as esferas, influencia a sociedade. Portanto, antes de se eximir de responsabilidade, as autoridades públicas devem ser cuidadosas e consequentes em suas decisões.

Em tempo: 144 mortes em Jundiaí.

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